quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Todo bestseller é ruim?

Ontem me perguntaram o que eu tenho contra bestsellers... Afinal, eu mantenho um blog que parece ser contra eles, não?

Nada disso! Sou a favor de livros que vendem muito (Quando eles são bons!)

bestsellers de qualidade, isto é, livros que são campeões de venda e são mesmo bons.

Dizem que há três critérios para avaliar um escritor:

1) se tem estilo, técnica literária, arte poética da palavra

2) se tem conteúdo e proposta filosófica

3) se é bestseller

Como exemplo de bestsellers realmente bons, cito os livros de José Saramago, que pontua bem nos três critérios, enquanto Paulo Coelho, por exemplo, apenas no terceiro.

OBS: o prêmio Nobel de Literatura premia autores que a) tem estilo e qualidade técnica-artística e b) conteúdo filosófico e político atual, e c) que tem potencial para ser bestseller mundial.

sábado, 19 de janeiro de 2008

"Os Segredos da Mente Milionária"

Manjadíssimo... livro muito fraco mesmo!



Normalmente eu dou um jeito de conseguir o livro que vou comentar neste blog com alguém ou numa biblioteca, mas com "Os Segredos da Mente Milionária" isso não foi preciso, uma vez que o livro é todinho captável com apenas um folheada breve.

A primeira parte do livro deixa claro que é baseado em Psicologia Cognitiva, muito influenciada pela Programação Neurolingüística. Começa dizendo aquela mesmice pseudo-científica de sempre dos livros de auto-ajuda: "O que você pensa acontece", "Mentalize e tudo dará certo", "O seu mundo exterior é um reflexo do seu mundo interior", etc.

OBS: Isso é pseudo-científico porque parte da idéia errônea que as pessoas não precisam mudar seus comportamentos, seus contextos concretos, precisam apenas mudar como se sentem para que tudo mude. Sabemos que mudanças para melhor ocorrem quando operamos na realidade concreta, e não em abstrações, pois não vivemos em um mundo abstrato. Ação, pessoal! (E não ilusões).


Como prova disso, o autor passa a seguinte fórmula: "Programação mental gera Pensamentos que geram Sentimentos que geram Ações que geram Resultados".

Na parte dois do livro ele contrasta a "programação mental" das pessoas ricas com a das pessoas pobres e diz te ensinar como "programar a sua mente" para se adequar a primeira. Em seguida, são alistados 17 crenças que o leitor deve abraçar (de pessoas ricas) e 17 crenças de pessoas pobres que devem ser evitadas.

As crenças?

Bah! Mais do mesmo... Manjadíssimas. Coisas como:

"Acredite que você pode e seja otimista"


"Procure oportunidades, não obstáculos"

"Seja amigos de pessoas bem sucedidas e se afasta dos perdedores"

"Trabalhe pelos resultados, pelo sucesso, não pelo dinheiro"

"Administre bem suas finanças"

"Admire pessoas ricas, tenha elas como modelos"

etc, etc, etc.

Em suma.. "Os Segredos da Mente Milionária" é um livro tão profundo quanto um pires. Não acrescenta nada e ainda retira um pouco do dinheiro do seu bolso.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Auto-Ajuda: Literatura ou Filosofia?

Em outro post eu declarei que auto-ajuda é Filosofia (barata, de baixa qualidade). Na revista Psique #23 (conforme citado neste blog também) uma representante do Conselho Federal de Psicologia declarou que auto-ajuda é Literatura.

Sabemos com certeza que não é Ciência. Isso é ponto pacífico.

E agora?

Filosofia ou Literatura?

Cheguei a conclusão que a resposta é: ambos.


Explico... Há um tipo textual misto entre a Literatura e a Filosofia chamado ensaio. Trata-se um texto que usa que recursos poéticos e narrativos da Literatura mas para discursar sobre idéias livremente, como na Filosofia.

Ensaios são menos sistematizados e amplos que os tratados (que são textos pertencentes a Filosofia) e mais discursivos que narrativos (diferente das crônicas, que são algo da Literatura).

Portanto eis minha conclusão: livros de auto-ajuda são ensaios... ruins.


Mais sobre ensaios (wikipedia, vai lá):

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ensaio

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Harold Bloom e sua "Terapia através de Romances"

Solitário, azedo e irônico:
assim é o leitor que busca
auto-ajuda em romances, para Bloom




Em “Como e porque ler”, pela Ed. Objetiva, (o título é um bocado pretensioso, não acham?) o famoso e polêmico crítico literário Harold Bloom traça uma teoria pela qual toda Literatura de qualidade é uma forma de auto-ajuda pois promove uma “terapia pela narrativa” baseada em três princípios: 1) amenizar a solidão, 2) ensinar algo sobre a vida e 3) promover Sabedoria por meio do refinamento da ironia do leitor.


Amenizar a Solidão


Logo na introdução Bloom define a prática da leitura voluntária de romances como algo que serve para “amenizar o sofrimento da solidão”. Diz ainda que os personagens dos romances se tornam uma espécie de amigos imaginários do leitor e que essa é uma forma de menos arriscada de conhecer pessoas. O prazer da leitura não é um prazer: é um alívio da dor, pois serviria para nos tirar do “estado doloroso de inércia sombria do coração”.

Ensinar algo da vida

Cada romance, para ser de fato Literatura de qualidade, ensina algo universal sobre a condição humana. Partindo dessa tese Bloom afirma que ao nos identificarmos com os personagens dessas narrativas sofremos e aprendemos junto com eles. (Um caso especial de aprendizagem vicária). Ele chega a afirmar que ao aprender com a experiência dos personagens não precisamos nós mesmos sofrer para aprender (ou seja, podemos abrir mão de ter experiências de vida).

Sabedoria por meio da ironia

Desenvolvendo sua tese sobre a aprendizagem o crítico literário afirma ainda que a leitura ensina e refina uma habilidade fundamental para o homem: a ironia. Bloom empresta esse conceito de Kierkegaard (filósofoso existencialista dinamarquês), para quem ironia é a arte de dizer uma coisa profunda falando algo superficial que parece não ter nada a ver com ela. Ou seja, cada romance ensina importantes lições de vida para o leitor a medida que este se torna mais irônico e passa a conseguir enxergar a verdade nas entrelinhas. Quando comenta sobre Proust, por exemplo, o crítico diz que esse é carregado de um “fascinante azedume”.

A sabedoria, em Bloom, está muito associada ao sentido clássico da Tragédia Grega: o sofrimento que deve ser aceito e usuufruído para fins de aprendizagem. No final o autor ainda afirma que nos dias de hoje o conhecimento é abundante e acessível, mas apenas o leitor que aderir ao estilo clássico (e aos clássicos da Literatura, especialmente seu adorado Shakespeare) irá conseguir obter algo além do conhecimento: a Sabedoria (conforme o Humanismo Clássico).

Que dizer de tudo isso?


Antes de mais nada, que Bloom não está falando de biblioterapia propriamente dita (que é uma prática mediada por um terapeuta onde a leitura ou escrita de uma narrativa é usada como procedimento clínico). Ele está, na verdade, incentivando a auto-ajuda. Para Bloom, a Literatura é imortal a medida que ela oferece a um leitor “em estado de inércia sombria” a capacidade de ajudar a si mesmo, mas não gerando prazer: suavizando a dor do existir.

Me parece (hipótese) que Bloom está falando tão somente de sua experiência pessoal com a leitura. O que ele diz parece estar carregado de amargura bem como prepotência (a começar pelo título do livro, lembram?).

Acredito que a leitura de um bom romance pode sim, eventualmente, amenizar a solidão de uma noite entediante, por exemplo. Mas não incentivo pessoas lerem para anestesiar suas dores: prefiro incentivar elas a deixarem de ser solitárias, superar seus problemas reais. Da mesma forma acredito que ler ensina muito sobre a vida, mas não permitiria que um amigo deixasse de ter uma vida social, por exemplo, para tão somente dialogar com amigos imaginários que brotam das páginas de livros.


Concluindo... Sou a favor da Literatura como arte, aprendizado e prazeres, mas não como auto-ajuda. Harold Bloom tem seus méritos quando critica livros, mas sua visão de leitor e leitura para mim é bem problemática.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

B. F. Skinner escreveu auto-ajuda????


Pensei que conhecesse Skinner, meu cientista favorito, autor da abordagem científica de estudo do comportamento que sigo. Mas qual não foi a minha surpresa ao descobrir que, aparentemente, ele escreveu auto-ajuda?


"Viver bem a velhice" é escrito naquele espírito pragmático e utilitarista comum ao Behaviorismo e (não por coincidência) a cultura dos EUA, país de Skinner. Trata-se de um ensaio filosófico sobre como ser feliz na velhice apesar da deterioração natural dos sentidos, do vigor físico, etc. O livro é recheado com informações científicas sobre o envelhecimento e também estatísticas sociais e parece ser dirigido a pessoas que começam a envelhecer, para que se tornem mais prudentes e planejem o futuro como idoso.


Mas fica aqui a interrogação: Skinner, o maior cientista do comportamento humano, escreveu para um gênero marcantemente pseudo-científico da literatura como a auto-ajuda?

O que me pareceu foi que Skinner apenas quis fazer juz ao que escreveu na introdução de "Ciência e Comportamento Humano", parafraseando Francis Bacon: que o conhecimento deve ser útil para a sociedade. Seu objetivo não era fazer dinheiro (até porque o livro é escrito numa linguagem nada caça-níquel), mas divulgar os saberes da Ciência do Comportamento para leigos, tornando-a útil.

Seja como for, "Viva bem a velhice" não se tornou um bestseller. Seu valor é histórico e científico. Só o comentei neste blog porque não podia deixar escapar essa... =)

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Matéria da Veja sobre auto-ajuda


link:
http://veja.abril.com.br/090108/p_054.shtml

Essa matéria da revista Veja é um tanto confusa em temos temáticos. Concentra-se em dizer que cada vez mais há regras e manuais para a vida moderna que tem a propriedade de se tornar mais complexa a cada dia.

No final da matéria, contudo, há interessantes informações sobre auto-ajuda em seus clássicos, que recebem uma leitura crítica.

Vale a pena para os auto-ajudólogos. =)

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

"Como fazer amigos & influenciar pessoas"

Como tudo começou...



Este é um dos maiores clássicos da auto-ajuda, escrito em 1937 e com mais de 55.000.000 de exemplares vendidos. Ao ler o texto entendi porque ele se tornou um molde para todos os demais. Sua mensagem é "Se você mudar seus hábitos, tudo vai melhorar para você".

Trata-se de uma leitura fundamental para qualquer auto-ajudólogo, pois esse livro foi o começo de tudo: a primeira vez que, no século XX, regras para o sucesso pessoal foram publicadas em forma de manual (no século XVIII em diante já havia manuais de etiqueta).

"Como fazer amigos..." não passa de uma miscelânia (sem muita organização mas com alguma coerência) de regrinhas de convívio para gerar pessoas mais corteses. Nada mais!
Seus principais ensinamentos são:

- seja receptivo, ouça as pessoas
- admita seus erros

- elogie

- trate todos pelo nome

- sorria sempre

- nunca critique em público

- nunca fique irado em público


e por aí vai...

Esse livro é um manual de bom senso. Nenhum segredo, nenhuma fórmula mágica. Apenas bom senso: seja legal e você fará amigos e influenciará pessoas.

Ler "Como fazer amigos..." nos faz lembrar como a sua cria, a indústria da auto-ajuda, é superficial e vive de mais do mesmo do óbvio.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

(ESPECIAL) Zibia Gasparetto

A auto-ajuda parece estar no sangue da família!


Oficialmente o que ela faz são "romances psicografados" (uma modalidade de Literatura baseada na fé espírita pela qual médiuns são usados como instrumentos para espíritos exercerem a arte literária na Terra). Contudo em todas as livrarias Zibia Gasparetto está nas estantes de Auto-ajuda / Espiritualismo, e não de Literatura. Por isso acho que cabe fazer um post dela aqui. Por isso e por outros dois fatos impressionantes:

1) desde 1994, quando começou sua carreira de escritora (ou melhor, pretensamente começou a ser usada por espíritos escritores, como alega) ela sempre esteve no topo de todas as listas de bestsellers de auto-ajuda do Brasil. Cada romance seu, logo após sair, fica no primeiro lugar da lista, conforme dados do site oficial de Zibia, que também diz que apenas ela e Paulo Coelho (Arggghhh!!!!) conseguem a proeza de emplacar, no Brasil, dois livros no top 10 ao mesmo tempo.

2) uma curiosidade... Zibia é mãe do figuraça Gasparetto, formado em Psicologia (mas não psicólogo, porque ele não exerce a profissão e não tem CRP) que apresenta o programa de auto-ajuda na TV "Encontro Marcado", pela RedeTV (a mesma que já teve em João Kleber seu top). "Encontro Marcado" é um show televisivo onde pessoas expõem seus problemas íntimos em rede nacional e o apresentador, irmão de Zíbia e "Espiritualista" assumido, oferece diagnóstico e tratamento imediato e ao vivo.

Não vou criticar os conceitos dos livros de Zibia aqui porque são romances, e não textos pretensamente filosóficos ou científicos como os livros assumidamente de auto-ajuda dizem ser. Por isso e porque a verdade deles é um artigo de fé (no caso, o Kardecismo) e portanto não é da alçada da Psicologia. Basicamente são romances suaves, estilo Sidney Sheldon, onde personagens sofrem e aprendem a amar com um fundo espírita que fala de missão na vida, aprendizagem, dor e expiação das falhas por meio da reencarnação e lei do Karma.

A única coisa que critico é o fato deles serem "Literatura Psicografada", segundo a autora; mas venderem como Auto-Ajuda. Me parece que a invasão de uma área por outro é uma estratégia para fazer uso da fé dos leitores.

Fica outra reflexão: só no Brasil mesmo franquias familiares de auto-ajuda...

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

(ESPECIAL) Roberto Shinyashiki


O mais bobinho e alegre autor de auto-ajuda brasileiro


Ao ler “O Sucesso É Ser Feliz” não pude deixar de concluir que Roberto Shinyashiki é a 3a pessoa da Trindade da auto-ajuda nacional, ao lado de Augusto Cury e Içami Tiba. Os três, vejam só, são médicos psiquiatras erradicados em São Paulo. (O que há de errado com a Psiquiatria brasileira? Guido Palomba, socorro!).
OBS: Um autor meio sumido mas que fez muito sucesso foi o Lair Ribeiro, que também era médico, mas cardiologista...

Shinyashiki faz um estilo mais leve e despojado que Tiba (que é linha dura e fala de disciplina para os jovens) e mais espiritualista e artístico que o (pseudo)científico Cury (que se deu o trabalho de erigir uma mirabolante teoria sobre a “personalidade”).

Na orelha de seu bestseller está escrito que ele é “o maior especialista em gente nos seus diversos papéis”. Pera aí... Especialista? (Que certificado atesta isso?). Em gente? Deve ser uma nova área de atuação... A orelha ainda diz que Shinyashiki tem um vasto conhecimento que ele aumenta regularmente em viagens para Europa, EUA e Ásia. Ah, entendi... Ele viaja e fica inteligente.. Ok, ok.

“O Sucesso É Ser Feliz” é um melodrama, repleto de parábolas sobre ternura, imagens de gente rindo e se abraçando, citações comoventes de John Lennon e frases de efeito como “Deixe seu coração ser livre e ele lhe criará o futuro de seus sonhos”. IMPORTANTE: Se você é diabético fique longe desse livro!

A narrativa começa com um diálogo com uma monja budista na qual o autor aprende o significado da vida. A vida é dinamismo e não devemos nos apegar aos sentimentos, assim seremos felizes tanto na alegria quanto na tristeza. A partir daí Shinyashiki vai definindo sua visão de felicidade (que é o tema do livro) como viver em um fluxo de idas e vindas, altos e baixos, e ainda ser sereno. Ele faz uso de uma tipologia de infelicidades tirada da mitologia grega: os Midas (gananciosos), os Sísifos (workaholics) e os Dâmocles (os pessimistas); e diz que todas as pessoas infelizes se encaixam em um desses três perfis. Para sermos felizes devemos nos ver livres da ganancia, da obsessão e do pessimismo e abraçar o amor, a alegria, a tolerância, o sorriso, as coisas fofas, alegres e luminosas da vida.

Algumas frases extraídas do livro, para vocês terem uma idéia do nível de doçura do texto “Viva um dia de cada vez, e em todos coma um morango”, “Seus sonhos mantêm aceso o fogo sagrado do seu coração”, "Hoje sei que para ter sucesso é precifo ter quatro D: Determinação, Dedicação, Disciplina e Desprendimento”; etc.


FIM.

Afffff!

Esse livro cobriu minha taxa de glicose por uma semana!

As Sete Leis Espirituais do Sucesso


Misticismo Indiano for business !


Deepak Chopra foi um dos primeiros gurus indianos a fazer rios de dinheiro com auto-ajuda no Ocidente. Sua obra basicamente é uma releitura “business” dos livros sagrados do Hinduísmo, especialmente o Badhavagad Gita. Seu mais bestseller é “As Sete Leis...”, que se diz “Um Guia Prático para a Relização de seus Sonhos” (está na capa do livro!).

O livro tem cerca de 100 páginas facílimas de ler, tendo sido escrito como um ensaio leve e cheio de espaços em branco entre os parágrafos.

O conteúdo é basicamente um resumex da visão de mundo do misticismo indiano focado em realização de desejos e ambições (algo bem Ocidental, não?).
As benditas 7 leis do sucesso são:

1) Lei da potencialidade: o universo é uma energia mental dinâmica, portanto tudo que pensarmos pode acontecer, já que nossos pensamentos podem interferir no Universo.
2) Lei da Doação: essa energia está em fluxo, em seu estado natural. Um fluxo de trocas que deve ser mantido
3) Lei da Ação e Reação: aquilo que damos ao universo é o que recebemos em troca.
4) Lei do Minimo Esforço: se tentarmos mudar o universo ao nosso redor com ansiedade e violência dará errado. Devemos usar a alegria, a harmonia e a serenidade do pensamento puro.
5) Lei da Intenção e do Desejo: se tivermos uma intenção de realizar algo e conseguirmos inserir ela no campo da energia universal, ela fará as coisas acontecerem.
6) Lei do Distanciamento: devemos ser livres e desprendidos, abraçando a natureza incerta das coisas. Também não devemos tentar controlar nada e nem a ningué
7) Lei do Propósito de Vida: todos temos um destino, um propósito na vida. Quando misturamos um talento especial nosso com o beneficio dos outros é que o encontramos.

Ou seja: “Tudo é possível. Relaxe, concentre-se, liberte sua mente e encontre seu destino”.

Em suma, “As Sete Leis...” não passa de uma boa síntese do solipsismo aplicado: se a realidade é uma ilusão posso então modelar essa ilusão para me ser um sonho favorável. Um livro bem mamão com açúcar, superficial e de abordagem manjada.


Recomendo o Ópera BUFA !!!!

Finalmente humor engraçado mesmo zoando a auto-ajuda!



Eu estava na livraria de um shopping de Floripa quando me deparei com esse grande achado: "Momentos de Estupidez", paródia de "Momentos de Sabedoria" =)

O livro faz parte de uma série que parodia a auto-ajuda, de um grupo de humor chamado Ópera Bufa.

O site deles é imperdível: http://operabufa.uol.com.br/

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

(ESPECIAL) Içami Tiba

Içami Tiba: senso comum pausterizado que vende!



Este post surgiu de uma contribuição muito especial de Luiz Graton, leitor deste blog, que enviou a seguinte informação estarrecedora para mim:



"Em pesquisa realizada em março de 2004, pelo IBOPE, entre os psicólogos do Conselho Federal de Psicologia, os entrevistados colocaram o Dr. Içami Tiba como terceiro autor de referência e admiração - o primeiro nacional.

1º- lugar: Sigmund Freud;

2º- lugar: Gustav Jung;

3º- lugar: Içami Tiba.

Seguem C. Rogers; Lacan; M. Klein; Winnicott e outros.Esses dados foram publicados no Jornal de Psicologia nº- 141, edição julho /setembro de 2004, do CRP-SP."


Primeiramente penso ser oportuno destacar que Içami Tiba é psiquiatra e não psicólogo (apesar de ter formação em psicodrama). Acho sintomático os psicólogos brasileiros não votarem em um psicólogo como autor de referência, mas em médicos (Freud, Jung e Tiba). Mas isso é assunto para outro post...


Vendo os livros da autoria de Içami Tiba na BU-UFSC pude notar que todos giram em torno da educação familiar aos jovens. Tiba se tornou o maior porta-voz brasileiro da tese de que a escola não deve ser a responsável pela educação moral: isso é responsabilidade da família no lar.


Partindo dessa tese central, Tiba desenvolve outros dois sub-temas da educação familiar em seus diversos livros: a) a disciplina na medida certa e b) o controle dos adolescentes, especialmente quanto ao uso de drogas.



Para ser sincero, eu que nunca li esse autor, até me empolguei com os temas, uma vez que eles realmente são muito oportunos no atual contexto social. A propósito, tive mesmo a impressão que Tiba fez uma pesquisa de marketing para saber quais os temas que venderiam mais...

Movido por curiosidade peguei "Quem Ama, Educa!" (um de seus maiores bestsellers, num exemplar de 37a edição pela Editora Gente) na BU-UFSC e levei para ler em casa.


Que decepção!


A primeira coisa que notei é que, pela linguagem, o livro parece ter sido escrito para crianças de cinco a dez anos. Ainda sobre a forma, há uma total falta de referências bibliográficas e o livro todo é escrito como um ensaio livre. Tiba simplesmente sentou-se na frente de seu PC e começou a digitar suas idéias (psicólogos andam com preguiça de ler textos densos, pelo visto).

A primeira parte do livro é dedicada a explicar as diferenças entre homens e mulheres, pais e mães. Removi alguns trechos hilários:

"A mulher vai pensando enquanto fala. O homem pensa antes de falar" (Umas amigas minhas, feministas, ficaram loucas para encontrar Içami Tiba depois dessa!)

"Numa refeição em casa, se o filho não quer comer, "Que não coma", pensa o pai. A mãe faz de tudo para alimentá-lo com carinho" (Ou seja: "Homens, tudo bem vocês serem grosseirões com seus filhos. É da natureza de vocês!")

"O marido é na verdade um filho temporão da esposa" (Claro, Tiba... Afinal macho que é macho é imaturo, boboca e deixa cueca suja no box).

"O pai ou a mãe nunca se transforma biologicamente no progenitor do sexo oposto" (Ah, ainda bem que ele me avisou!)

"Nosso comportamento sexual tem bases biopsicossocioantropológicas" (Caramba! Será que ele consegue dizer essa palavra três vezes bem rápido numa conferência?)

O livro prossegue com uma tipologia bizonha dos comportamentos, classificados em três classes: vegetal (ser passivo), animal (ser agressivo) e humano (disciplinado e afetuoso). Ok, Tiba simplesmente inventou essa tipologia, como uma espécie de parábola. Aliás, o livro está abarrotado de metáforas parecidas. Ele não sabe que só se usa muitas metáforas quando o público-alvo é completamente ignorante? (Ops, acho que ele sabe sim...)

A partir daí o livro vira uma seqüência de perguntas-e-respostas, no estilo daquelas colunas de auto-ajuda de revistas semanárias. Todas as respostas, claro, escritas com linguagem para criança, sem referências e repletas de opiniões particulares e cheias de preconceitos (especialmente sexistas).

Vale destacar... Em uma das perguntas, sobre videogames e violência, Tiba responde contando uma história de dar medo, onde um garoto e seus comparsas ensaiavam o seqüestro da namorada em um videogame... Ora, ora, ora. Eu, que atuo na área de games há 5 anos, nunca ouvi falar de um game em que fosse possível isso! Ademais, a história, que tem cara de notícia de jornal de segunda categoria, não tem referência bibliográfica alguma. Pode muito bem ser uma lenda urbana, ou pura invencionice da cabeça criativa de Içami Tiba!

Concluindo...
O que me parece é que Içami Tiba faz sucesso porque fala (mal) coisas óbvias sobre problemas atuais, baseado em achismos. Só conseguiu a projeção atual porque fez uso da indústria da auto-ajuda. Saber que Içami Tiba é a grande referência para os psicólogos brasileiros e que ganha fortunas dando conferências sobre educação me entristeceu em relação a essa classe profissional!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

"Inteligência Multifocal"

A síntese de todas as besteiras anti-científicas!




É sério. Nunca li tanta bobagem junta em tão poucas páginas. Peguei esse livro na Biblioteca da UFSC e levei pra casa, e não pude ler senão com um balde ao lado para emergências.
Trata-se da "obra prima" de Augusto Cury. O livro que ele tentou emplacar como dissertação de Mestrado e foi (por algum motivo) rejeitado em inúmeros universidades. "Inteligência Multifocal" é a base de sua teoria, da qual saiu todos os seus inúmeros livros (já comentados nesta comunidade no post Especial sobre Augusto Cury).


Não resisti a tentação e fui beber a água (de esgoto) direto da fonte.
Pois bem... O que dizer do livro "Inteligência Multifocal"?

Para começar, a introdução do livro, na qual ele explica como sua revolucionária teoria foi criada, já é regorgitante. Cury diz mega-abobrinhas já nas primeiras págincas. Diz, por exemplo, que sua teoria é única, original, comparável a dos grandes pensadores, como Freud, Jung, Platão, etc (Absoluta arrogância!). Quando explica como chegou a essa teoria, diz que foi tendo suas idéias particulares, como livre pensador e fora do "cárcere da Academia". Ele chega a dizer que simplesmente parava, pensava e anotava suas idéias, se recusando a saber o que outros pesquisadores do presente e do passado disseram sobre aqueles temas para não ser contaminado. Esse é o método de pesquisa de Cury...



Sobre a teoria em si, trata-se do mais puro mentalismo totalmente clonado da obra de Freud. Cury assume que é um psicodinâmico (ué, ele não era 100% original?) e o tempo inteiro fala de inconsciente, energia psíquica, mente, etc. Contudo, ele mistura essa percepção superficial da psicanálise com cognitivismo, falando de estruturas da mente e do processamento de informação no cérebro. Em resumo: sua teoria, do ponto de vista epistemológico, é um misto confuso e mal arranjado de psicanálise e cognitivismo, com ênfase em aspectos psicossociais.
OBS: O nome "Multifocal" vem do fato que ela explica diversos aspectos do EU humano (que Cury diz serem 32, mas não oferece a lista em nenhuma parte do livro).


Basicamente a "Inteligência Multifocal" de Cury determina que


1) a inteligência, a mente, a personalidade, a consciência, o EU, self, etc, são uma mesma coisa. Essa entidade vive dentro de nós (na perspectiva mentalista) como um eu-gerador, e é formado pelos 3 "mordomos da mente": a memória, os pensamentos presentes e o fluxo da energia psíquica (???).


2) O EU surge ao se apropriar da da memória para gerenciar os pensamentos, que podem ser dialético, antidialéticos, tridimensionais, essenciais, inconscientes, etc (e que aliás são mais ou menos a mesma coisa que emoções e sentimentos).


3) Esse EU-interior se exterioriza nas relações psicossociais com outros EUs (pessoas) através de "psicoadaptação" e evolução pelo exercício da "cidadania"(???); mas é fundamental que ele interiorize o mundo através da criatividade, da poesia, da arte de refletir, da arte de questionar, etc.


4) Se o EU-interior não se interiorizar corretamente surgem as "doenças psicossociais", como por exemplo o "Mal do Logos Estéril" (hahahahahha!), pelo qual a pessoa aprende sem prazer (!) e também a temível "Sindrome da Exteriorização Existencial" (hahahahah!), que consiste na incapacidade de se interiorizar (?) através da reflexão e da introspecção. OBS: Realmente a psicopatologia de Augusto Cury tem nomes bem criativos para as doenças.


5) A medida que vive de forma saudável, o EU-interior ganha mais consciência existencial, se tornando pleno e livre de doenças bem como transformando a pessoa num livre pensandor, não amordaçado pelas prisões da Modernidade.


6) A Inteligência Multifocal é a teoria que mais chances tem de tirar os pensadores do marasmo intelectual que estão nem começo de século XXI e levar a humanidade a um salto qualitativo de evolução (HAHAHAHAHHAHH!)


Ufa!

Não acredito que consegui ler aquilo. E nem acredito que consegui resumir esse livro aqui. Para mim "Inteligência Multifocal" não passa de um pastiche de teorias muito mal arranjado. O livro também é mal escrito: o texto é confuso e se arrasta (e olha que foi escrito ao longo de 17 anos pelo autor!).



Sem dúvida, o PIOR livro que já li sobre Psicologia e afins. Estou convencido que Augusto Cury é o maior charlatão do Brasil em se tratando de suposto profissional de saúde humana!


Caro leitor, foi um trabalho hercúleo da minha parte criar este post. Com licença, vou pegar meu baldinho de vômito...


segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

matéria sobre Auto-Ajuda na revista Psique


Saiu na Revista Psique #23, de dezembro de 2007, uma interessante matéria sobre auto-ajuda.

Não pude deixar de comentar aqui...

Ana Maria Serra, uma representante do Conselho Federal de Psicologia dá o parecer oficial da instituição sobre o tema: "É um tipo de Literatura, um saber não-sistematizado, sem fundamentação científica e que beira o pensamento mágico".

A matéria segue falando de como os livros de auto-ajuda são romances baseados nas experiências particulares dos autores e que propõem fórmulas não-comprovadas para solucionar problemas não corretamente abordados. Podem até ajudar, mas dificilmente, e quando muito, ajudar pouco.

Vale a pena conferir!

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

"Quem mexeu no meu queijo?"

Uma das coisas mais bobinhas que eu já li...


Como esse é um bestseller muito citado, tive que ler para denunciá-lo para vocês, caros leitores. Mas não comprei: peguei um exemplar na BU-UFSC e mandei ver. Não digo que li porque livros assim não são lidos, mas apenas folheados.

Ok, ok.. eu já fui esperando uma bomba, pois o autor, Spencer Johnson, também escreveu "O Gerente-Minuto" (já postei sobre neste Blog. Procure nos posts de setembro)

A começar pelo formato... Letras imensas, páginas com apenas uma frase, vastos espaços em branco. Tudo feito para fisgar quem não está habituado a ler. Detalhe bizarro sobre o texto: a palavra "queijo" se repetia quase 5 vezes por página, numa verdadeira "lavagem cerebral" que mais irritava que qualquer outra coisa.

Já o conteúdo... Alguns amigos se reencontram depois de anos sem se ver e notam como as coisas mudaram. Um deles conta uma parábola sobre mudanças, para amenizar o clima. A historinha de dois ratos e dois homens em um labirinto, procurando um queijo que muda de lugar. Os dois ratos são as nossas "partes simples", instintivas, que fazem as coisas de forma tranquila. Os dois homens são nossas "partes complexas", i.e., emoções, pensamentos e outras coisas que tendem a tornar tudo mais complicado que é. O queijo é o objetivo da vida (qualquer um) e o labirinto é a vida repleta de obstáculos, imprevistos e afins, como ela de fato é.

Moral da história: mudanças são coisas simples e fazem parte da vida, encare-as com naturalidade e aprenda a se adaptar.

Então
esse é o tão falado "Quem mexeu no meu queijo?". Que coisa bobinha! Quando eu li não pude deixar de me sentir tratado pelo autor como se eu tivesse cinco anos. Não é a toa que saiu uma versão "for kids" (como se a primeira já não fosse!).






"Quem mexeu no meu queijo? (Para Crianças)": um pleonasmo?

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Por que CEOs dão ouvidos a auto-ajuda?

Sempre que um grande figurão do mundo corporocrático é perguntado sobre o que está lendo ele responde com algum bestseller da vez, em geral escrito por um guru empresarial ou afim e que fala de formas inovadoras de gerir negócios. Já notaram isso?

É impressionante como homens e mulhere inteligentíssimos, que lidam com negócios às vezes de bilhões de US$ dão ouvidos a qualquer cascateiro que consegue emplacar um bestseller!

Esse fato me fez deduzir uma coisa: os grandes homens de negócio tem fraca formação filosófica e científica, por isso acham que precisam ler esses manuais "mastigadinhos" onde um guru dá fórmulas para quem não tem tempo ou interesses de parar para pensar. Uma outra forma de se proteger da auto-ajuda: filosofe por conta própria e questione as idéias da moda. Afinal, elas podem estar erradas ou serem pura redundância, mais-do-mesmo já batido.

Dessa cadeia de eventos acabei deduzindo que a melhor forma de estar acima da auto-ajuda, não precisando dela senão para conhecer as palavrinhas da moda, é ler os clássicos. Sim, porque os conceitos já estão todos lá, nos clássicos. O conteúdo deles só é "adaptado" e ganha nomenclatura diferente.

Talvez um dia os ocupados business men deixem de consumir a filosofia barata que é a auto-ajuda e contratem um preceptor para ensinar-lhes a filosofar com qualidade por conta própria.

Se não for um preceptor, quem sabe um "coach"...

Iniciativas como "A Casa do Saber" (onde gente rica vai aprender em grupo temas filosóficos) pode ser um bom sinal apontando pro fato de que os poderosos querem ficar mais sábios, também.

Qualquer coisa que diminua a influência da auto-ajuda soa bem!

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

(Especial) Fritjof Capra

Ele é anti-capitalismo, mas é o consultor empresarial mais bem pago da Europa...




Você pode estar se perguntando: "Um momento.. Fritjof Capra escreve auto-ajuda?"

Defendo que sim. E de um tipo bem pernicioso: que faz uso de Ecologia e Religião.

A obra de Capra é um misto de Fìsica Teórica, Ecologia e Misticismo. Desse pacote ele extrai receitas para tudo: como curar o mundo, como melhorar a política, como otimizar a economia, como salvar uma empresa, etc.

Fritjof Capra é Físico Teórico mas ganhou a vida como consultor empresarial e escritor de bestsellers.

O primeiro mais famoso foi "O Tao da Física", onde ele defende que a Física Quântica e a Filosofia Oriental falam das mesmas coisas. Esse livro foi escrito logo depois de Capra conseguir sair vivo dos anos 1970, onde assume que abusou de todo tipo de substâncias.

Em seguida veio "O Ponto de Mutação", onde ele é mais prático e demonstra como a Política e a Economia devem se adequar a uma visão ecológica e mística. Esse livro rendeu um modorrento filme homônimo.

Em "Sabedoria Incomum" ele dialoga sobre Fé e Religião com representantes de diversas crenças, para concluir que a Ciência do século XXI apontará para o misticismo oriental.

O livro mais importante conceitualmente dele é "A Teia da Vida", na qual ele diz finalmente ao que veio. Sua teoria fundamental é que as coisas são sistemas vivos, e como tal têm quatro propriedades fundamentais:

1) Estrutura delimitada por uma membrana seletiva

2) Fluxo de matéria e informação que mantém a estrutura se renovando ciclicamente

3) Sistema de tomada de decisões que permite uma seletividade em relação ao meio

4) Um propósito, significado de existência no meio ambiente, interligado a outros sistemas vivos.


Esses 4 pontos são o núcleo da "Ecologia Profunda" de Capra (visão de homem e de mundo que ele defende).

Em seus livros, muito consultados por grandes empresários, ele defende que a empresa deve ser vista como um sistema vivo nesses quatro termos. Da mesma forma, ele também defende que a Sociedade é um sistema vivo, e por aí vai.

Mais recentemente Capra lançou "Alfabetização Ecológica", que não passa de um aprofundamento desse modelo quaternário de sistema vivo.

Apesar de ir contra o capitalismo, ele não se incomoda nada em cobrar até 100.000US$ por palestra de 1 hora, e ser o consultor empresarial mais bem pago da Europa há quase 15 anos.

Importante: Capra não é um cientista. Ele é um divulgador de saberes científicos (mesclados com saberes religiosos, filosóficos particulares, etc) no formato de auto-ajuda.


Se alguém me pergunta quem é Capra, eu resumo assim: "É um Físico Teórico que não obteve sucesso em sua profissão e foi esperto, se tornando um autor de bestsellers de auto-ajuda empresarial".

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

"As 6 Decisões Mais Importantes que Você Vai Tomar na Sua Vida"

O título desse livro poderia ser
"Seis soluções moralistas para problemas de adolescentes"

O autor é filho de Stephen Covey, o autor do bestseller "Os Sete Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes". Sean continua a tradição do pai (como boa estratégia de marketing) não apenas no estilo do título de seu bestseller, mas também na forma de resolver as questões do leitor.

Stephen e Sean Covey são membros dos Santos dos Últimos Dias (mórmons) e vivem na capital mundial da igreja: o ultra-conversavador estado teocrático de Utah, EUA. E o conversadorismo moral dessa comunidade é a tônica do livro, que foi escrito para adolescentes.

As 6 decisões do título dizem respeito a 6 problemas éticos dos adolescentes:


1- como orientar os estudos, a vida escolar e acadêmica

2- a relação com os pais

3- como escolher, fazer e manter amigos

4- namoro e sexo

5- dependência de substâncias e outros vícios (alcool, drogas, jogos, etc)

6- auto-estima (como ter e manter)


Sean Covey dá respostas moralistas para essas questões, e isso é o livro.

Ele vende tão bem por causa da tradição e renome da família Covey enquanto autores de bestsellers da auto-ajuda.

Na parte 4, sobre namoro e sexo, por exemplo, ele diz algo como

"Se você acha que fazer sexo vai mudar sua vida, você não está pronto para essa decisão. Se você acha que isso também não vai mudar sua vida, você também não está pronto"

Hmmmm... Entendeu?

Vale mais a pena você conversar com sua avó sobre esses assuntos do que você comprar esse livro...

sábado, 13 de outubro de 2007

"A Profecia Celestina"

Lucrou milhões! E não foi por coincidência...


"A Profecia Celestina"
é um romance, uma narrativa ficcional onde o autor conta a experiência de desabrochar espiritual de um homem comum dos EUA numa viagem mágica pelo Peru.Trata-se de uma saga pessoal em busca da espiritualização. A jornada ocorre quando ele tem acesso a um misterioso pergaminho peruano (encontrando "por coincidência").

Aliás, o tema central do livro é
perceber e interpretar coincidências como sinais mágicos do Universo. A narrativa segue um esquema que é uma seqüência de "Visões". Cada visão é uma regra que explica, com cada vez mais profundidade, como as estranhas coincidências são sinais do Universo para revelar profundos segredos.

Assim, por exemplo, a primeira visão diz que
"Ao nos conscientizarmos da coincidência estamos nos sintonizando com o mistério do princípio fundamental da ordem no universo". A segunda diz que a percepção dessas coincidências pode mudar sua vida. A terceira diz que o Universo é energia e estamos co-criando ele com nossos pensamentos e por isso as coincidências são formas de darmos dicas a nós mesmos do que devemos fazer. E por aí vai. São ao todo nove visões.

Ok, já que o aparentemente mágico mecanismo das coincidências é a chave de compreensão de "A Profecia Celestina", falemos então de
como funcionam a percepção de coincidências.

Lembro de que quando tive meu braço engessado há dois anos eu andava na rua e via diversas pessoas de braços engessados, como nunca tinha visto antes. Será que a quantidade de pessoas de braços engessados aumentou depois que eu engessei o meu? Caso sim, teria sido uma imensa coincidência (provavelmente um
sinal cósmico, segundo "A Profecia Celestina"). Mas o que aconteceu foi simplesmente que eu passei a prestar mais atenção a variável "braço engessado" por eu estar passando por essa experiência. A quantidade de pessoas com gesso no braço provavelmente não havia sofrido alterações significativas (a não ser que um louco na cidade houvesse passado a semana quebrando braço de gente), mas minha percepção havia mudado por conta de minha experiência.

O que "A Profecia Celestina" ensina é a treinar sua percepção para
desencavar ou fabricar coincidências através de associações elaboradas. Assim o leitor que acredite no conteúdo desse livro passará a ver em tudo os tais sinais do Universo, o que parece ser excitante, e até uma tremenda injeção de ânimo e auto-estima em quem está passando por maus bocados.

Em suma, o livro condiciona os leitores a verem coincidências em virtualmente tudo. E quem procura coincidências por toda parte, certamente as achará, mesmo que não existam...


sábado, 6 de outubro de 2007

Um Imposturômetro para Auto-Ajuda



Se você não leu "Imposturas Intelectuais" sugiro que leia. Foi dessa obra majestosa que veio a idéia deste post!





Note, caro leitor: é a primeira vez que eu recomendo um livro neste Blog!!!!!

Alan Sokal e Jean Bricmont, "Imposturas intelectuais". Rio de Janeiro: Record, 1999
.





Tive a idéia de criar um "imposturômetro". Isto é, uma forma de medir a quantidade de imposturas intelectuis que um livro de auto-ajuda profere.

Entendo que dentro os livros desse gênero todos são ruins, mas há alguns que são piores. Pois é.. Como saber quais os campeões de bobagens? Como precisar quem é o autor mais impostor? Como estabelecer uma escala de poder de intoxicação desses livros?

Este post tenta dar uma solução a tudo isso com um checklist bem simples.

Escolha um livro de auto-ajuda X. Sobre ele, para cada uma das perguntas seguintes, responda com "sim" ou "não". Para cada "Sim" marque 1 ponto.

Ok?

Vamos lá.

Sobre o autor

1) O autor se auto-elogia? (Um auto-elogio pode ser camuflado em depoimentos de amigos famosos ou citações repetidas de títulos acadêmicos e sucessos de vendas, portanto, cuidado com a sutileza deste ponto!)

OBS: Se em algum trecho ele se sugere que é um gênio ou "mago" ou se arrola ao lado de Da Vinci e Freud, então marque 3 pontos ao invés de 1.


2) Ele sugere que descobriu algo fantástico e estonteante e que está te fazendo um favor incomensurável em te revelar isso ?

OBS: Se em algum momento ele diz que suas descobertas vão revolucionar a Ciência e/ou o Mundo caso aplicadas, então marque 3 pontos ao invés de 1.


Sobre o livro


3) Ele promete cura garantida para o problema de que trata, caso seguidas as instruções, ou sugere que a resolução é "como mágica"?

OBS: Se o livro deixa entendido que é um método para resolução de QUALQUER problema então ele pontua 3 pontos.


4) Diz que o processo de superação dos problemas é fácil e simples, e qualquer um pode fazer sem muito esforço?

OBS: Se o livro insiste que essa "mágica" não precisa ser entendida, que é algo misterioso mesmo que você precisa apenas aceitar, então marque 2 pontos ao invés de 1.


5) O livro tem bibliografia? Caso não, marque 2 pontos.

6) O livro foi escrito em uma prosa "homeopática"? (Cheia de resumex, estilo prosaico, frases de efeito, historinhas para ilustrar, e com poucos conceitos densos?) Caso sim, marque 1 ponto.

7) O livro enfatiza o papel do leitor como solucionador de si mesmo? Em outras palavras, diz coisas como "Tudo depende de você. Apenas de você"

Ok, ok.

Agora você sabe medir o quão impostor um livro de auto-ajuda é, porque você aprendeu a usar a super, mega, ultra "Escala AVR de impostura em auto-ajuda" (Onde AVR é a sigla de Alessandro Vieira dos Reis). Em breve, numa banca perto de você, por apenas 14$99.

Ela vai de 0 a 15, onde "0" significa que o livro não é auto-ajuda e 15 que ele é realmente muuuuuito ruim.

Eis aí alguns exemplos feitos por mim:

"Quem somos nós" - 9 pontos

Esse é mesmo muito ruim, especialmente a parte do "cura tudo e fácil".

"Inteligência Emocional" - 4 pontos.

É auto-ajuda, mas beeeem camuflado de livro científico, por isso pontuou pouco. Tanto é que engana até psicólogos experientes por aí.

"O Monge e o Executivo" - 6 pontos.

6 pontinhos.. bem na média.. um livro de auto-ajuda padrão.

"O Segredo" - 15 pontos !!!!!!!!!

Esse é um caso paradigmático que merece ser estudado a fundo pelos auto-ajudólogos (ramo da Psicologia que acabo de inventar que se destina a desintoxicar as pessoas quem lêem livros de auto-ajuda).