quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Por que CEOs dão ouvidos a auto-ajuda?

Sempre que um grande figurão do mundo corporocrático é perguntado sobre o que está lendo ele responde com algum bestseller da vez, em geral escrito por um guru empresarial ou afim e que fala de formas inovadoras de gerir negócios. Já notaram isso?

É impressionante como homens e mulhere inteligentíssimos, que lidam com negócios às vezes de bilhões de US$ dão ouvidos a qualquer cascateiro que consegue emplacar um bestseller!

Esse fato me fez deduzir uma coisa: os grandes homens de negócio tem fraca formação filosófica e científica, por isso acham que precisam ler esses manuais "mastigadinhos" onde um guru dá fórmulas para quem não tem tempo ou interesses de parar para pensar. Uma outra forma de se proteger da auto-ajuda: filosofe por conta própria e questione as idéias da moda. Afinal, elas podem estar erradas ou serem pura redundância, mais-do-mesmo já batido.

Dessa cadeia de eventos acabei deduzindo que a melhor forma de estar acima da auto-ajuda, não precisando dela senão para conhecer as palavrinhas da moda, é ler os clássicos. Sim, porque os conceitos já estão todos lá, nos clássicos. O conteúdo deles só é "adaptado" e ganha nomenclatura diferente.

Talvez um dia os ocupados business men deixem de consumir a filosofia barata que é a auto-ajuda e contratem um preceptor para ensinar-lhes a filosofar com qualidade por conta própria.

Se não for um preceptor, quem sabe um "coach"...

Iniciativas como "A Casa do Saber" (onde gente rica vai aprender em grupo temas filosóficos) pode ser um bom sinal apontando pro fato de que os poderosos querem ficar mais sábios, também.

Qualquer coisa que diminua a influência da auto-ajuda soa bem!

2 comentários:

adriano disse...

to achando que ta na hora de vc escrever algo entao sobre filosofia. que tal começar pelo livrinho "a felicidade, desesperadamente", do comte-sponville?
sim, sim. vc ja fez isso. escreveu sobre o "aprender a viver" do ferry. tenho esse livro e praticamente o li inteiro. minha impressao: um saco. prolixo. e nao deixou de se parecer com uma aula de historia da filosofia. comte-sponville é muitissimo mais agradavel e consistente.
bom, fica a sugestao.
abraço

Alfredo disse...

Adriano,. concordo plenamente com a tua surpresa e desagrado com a literatura de auto ajuda que visceja entre os executivos.

O caso do Monje e o Executivo é emblemático. O pior é que o propri autor se declara surpreso com o triufo do seu livro (originalmente The Servant) no Brasil, um pais no qual o autor declara nao ter pensado antes!

Vamos bater um papo, www.alfredobehrens.com meu email se faz substituindo www. por ab
Com isso podes chegar a mim sem que meu email seja objeto de spam.

Parabéns e abracos

Alfredo