sexta-feira, 20 de julho de 2007

"Aprender a Viver"







Nova tendência: incentivar o filosofar ao invés de dar dicas prontas de auto-ajuda







O sucesso de "Aprender a viver" reflete uma tendência. A de que algumas pessoas preferem lições introdutórias de Filosofia a ler auto-ajuda (que é Filosofia barata). São outros sinais dessa tendência: saraus, jornadas científicas para leigos, varais literários, a popularização de seminários intelectuais e organizações como a "Casa do Saber", em SP.

A tendência é essa: gente com grana e alguma escolaridade estudando Filosofia por conta própria, seja porque é bonito (educação humanística clássica), porque está na moda (e tudo que vem da França não vira moda?), porque é instigante (intelectual e existencialmente) ou porque ajuda no Curriculo (alguns empregadores podem se impressionar).

O autor é um intelectual badalado, já foi Ministro da Cultura da França. O livro não é auto-ajuda. Digo isso não porque ele não consta na tal lista da Veja (a revista o classifica como "Livro de Não-Ficção"). Mas sim porque ele não contém fórmulas para sair por aí aplicando para ser feliz. Em suma, não é um manual. Está mais para um almanaque de Filosofia. Ou um resumex "FIL 101".

Se você acha que vai ler livros como esse e ter respostas para suas perguntas está errado. O propósito do livro é apresentar panoramas sobre questionamentos e reflexões de diversos filósofos sobre temas variados (morte, saúde, amizade, amor, ética, etc) e com isso incentivar o leitor a filosofar por conta própria. Ou seja, fazer o leitor gerar mais questões ainda, ao invés de responder as suas. Esse exercício intelectual é salutar, defende o autor, para aprender a viver.

O livro de Luc Ferry é apenas um expoente de uma corrente que vem crescendo, especialmente com os autores da "Psicologia Positiva", como Seligman. Corrente distinta da auto-ajuda, e que pode ser identificada como uma tentativa de popularizar temas que historicamente estão restrito ao meio acadêmico. Dentre eles, destaca-se a Filosofia Clássica, em especial em sua dimensão Ética.

Isso porque o grande objetivo desses livros é promover a reflexão e o aprendizado da Felicidade, por isso sempre enfatizam aspectos éticos, e não estéticos, lógicos, políticos, etc.

Acho essa estratégia didático-editorial de Filosofia uma tendência interessante, pois ela é francamente didática e não formulativa. A única crítica cabível seria a de se ser superficial demais no conteúdo, ou de restringir-se utilitariamente a questões éticas, deixando de lado toneladas de filosofia sobre Metafísica, Estética, Política, etc.

Mas ora... E qual introdução é densa e profunda?

Deixando claro: não é auto-ajuda, mas também ninguém larga esses livros entendendo de fato de Filosofia.

4 comentários:

Adriano Facioli disse...

to lendo e decepcionado. historia da filosofia para leigos. superficial mesmo. mas ainda preciso ler mais. quem sabe de repente muda e fica um pouquinho mais instigante. prefiro outro frances: andre comte-sponville. alias, no livro "a sabedoria dos modernos", em que comte-sponville e ferry debatem o tempo todo, prefiro sempre o que o primeiro fala. ferry, quando nao é prolixo e banal, é ininteligivel.

Adriano Facioli disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Adriano Facioli disse...

dei uma lida em dois livros do psicotico (ou charlatao mesmo?) augusto cury. devo fazer uma resenha em breve. aí te envio, ok? quem sabe eu nao possa contribuir um pouco tambem para este utilissimo blog.

Anônimo disse...

Era bom aproveitar e fala sobre a "Escola" Nova Acrópole - Filosofia a maneira Clássica.

Fui lá numa palestra pensando que seria sobre Platão, Aristóteles, etc... Mas de cara já desvalorizaram Platão e começaram a falar sobre Helena Blavatsk como uma "importante filósofa".

Esta entidade deveria ser fechada, não por oferecer teosofia misturada com ocultismo e sei lá mais o quê. Mas por esconder-se atrás da fachada e do bonito nome de uma Escola de Filosofia à Maneira Clássica.