A auto-ajuda parece estar no sangue da família!
Oficialmente o que ela faz são "romances psicografados" (uma modalidade de Literatura baseada na fé espírita pela qual médiuns são usados como instrumentos para espíritos exercerem a arte literária na Terra). Contudo em todas as livrarias Zibia Gasparetto está nas estantes de Auto-ajuda / Espiritualismo, e não de Literatura. Por isso acho que cabe fazer um post dela aqui. Por isso e por outros dois fatos impressionantes:
1) desde 1994, quando começou sua carreira de escritora (ou melhor, pretensamente começou a ser usada por espíritos escritores, como alega) ela sempre esteve no topo de todas as listas de bestsellers de auto-ajuda do Brasil. Cada romance seu, logo após sair, fica no primeiro lugar da lista, conforme dados do site oficial de Zibia, que também diz que apenas ela e Paulo Coelho (Arggghhh!!!!) conseguem a proeza de emplacar, no Brasil, dois livros no top 10 ao mesmo tempo.
2) uma curiosidade... Zibia é mãe do figuraça Gasparetto, formado em Psicologia (mas não psicólogo, porque ele não exerce
a profissão e não tem CRP) que apresenta o programa de auto-ajuda na TV "Encontro Marcado", pela RedeTV (a mesma que já teve em João Kleber seu top). "Encontro Marcado" é um show televisivo onde pessoas expõem seus problemas íntimos em rede nacional e o apresentador, irmão de Zíbia e "Espiritualista" assumido, oferece diagnóstico e tratamento imediato e ao vivo.
Não vou criticar os conceitos dos livros de Zibia aqui porque são romances, e não textos pretensamente filosóficos ou científicos como os livros assumidamente de auto-ajuda dizem ser. Por isso e porque a verdade deles é um artigo de fé (no caso, o Kardecismo) e portanto não é da alçada da Psicologia. Basicamente são romances suaves, estilo Sidney Sheldon, onde personagens sofrem e aprendem a amar com um fundo espírita que fala de missão na vida, aprendizagem, dor e expiação das falhas por meio da reencarnação e lei do Karma.
A única coisa que critico é o fato deles serem "Literatura Psicografada", segundo a autora; mas venderem como Auto-Ajuda. Me parece que a invasão de uma área por outro é uma estratégia para fazer uso da fé dos leitores.
Fica outra reflexão: só no Brasil mesmo franquias familiares de auto-ajuda...